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DIÁRIO DE MARIA


Olha o tamanho da netinha da vovó!!!!

Aqui está a Beatriz com um ano e três meses. Beijo vovó!!!!



Escrito por Eduardo Ribeiro às 13h36
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Dia das mães - 2011

Na foto, mina mãe Maria Lucia, Minha avó, Teresa, aos 81 anos, e minha madrinha Rosangela. Viva a vida, mãezona!!!



Escrito por Eduardo Ribeiro às 13h32
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Um ano depois....

Esta é nossa Maria Lúcia um ano depois do post anterior. Agora ela é a avó da Beatriz. Depois da cirurgia que lhe abriu o cérebro para estrangular um aneurisma, vovó Lúcia fala, caminha, come, ri e chora sem precisar da nossa ajuda. O aneurisma hoje é apenas uma lembrança traumática do dia em que ela quase morreu. E eu digo traumática porque a experiência foi mesmo terrível. Seja lá o que foi feito dentro da cabeça de minha mãe, alguma coisa lá não a deixa esquecer daqueles dias. É como se a nova vida conquistada com ajuda da medicina fosse também uma missão. Não esquecer do que passou, das dores que sentiu, das alucinações que viveu, do sofrimento da recuperação. Mas para o nosso espanto, quando nossa Maria tinha apenas motivos para comemorar, a tristeza às vezes também ronda essa mulher de fibra.

Ela continua em Curitiba, mora hoje com meus dois irmãos. Eu continuo em São Paulo. A cirurgia a deixou mais sensível, com o perdão da palavra, mais medrosa. Coisa que ela nunca foi. Mas são medos fáceis de vencer, viu mãe! Viajar de ônibus sozinha foi barra. Mas hoje é normal. Ficar sozinha em casa também não foi fácil. Ainda falta viajar de avião de novo e, quem sabe, fazer um cruzeiro?

Não importa o tempo que leve mãe! Cada café da manhã é um presente de Deus na tua vida. Não desperdice esses momentos com preocupações bobas. Seus filhos continuam grandes e teimosos, como você sempre foi. Vamos continuar te dando trabalho. Viver em família era e continua complicado, brigamos por besteira, por coisa nenhuma. Mas essas brigas te fazem sofrer mais do que antes, eu admito. Então a receita é não brigar, exercitar a tolerância, se afastar das coisas chatas e dar mais tempo ao que é prazeiroso.

                    

E quer coisa mais gostosa do que mimar sua nova neta? Minha filha não vê a hora da avó entupi-la com doces, ensina-la a lavar louça, brincar com os cachorros na rua, esconder travessuras dos pais.

A Beatriz é sua, mamãe. Tem parte do meu jeito, que herdei de você e do papai. Ele não pôde ficar para vê-la de perto. Mas você cumpriu a promessa, viu não só meu casamento como esperou para conhecer minha primeira filha. Obrigado!!!! Este presente talvez nunca possa te retribuir. Mas vou continuar tentando.

Te amo muito mãe. Todos amamos. Deixa a gente ajudar você a viver melhor essa vida nova, vai?



Escrito por Eduardo Ribeiro às 17h48
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VOU CONTAR UMA HISTÓRIA SOBRE ELA

Maria Lúcia: vida nova



Escrito por Eduardo Ribeiro às 14h09
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DIÁRIO DE MARIA

Dias de luta pela vida depois de um aneurisma cerebral

O aneurisma é uma doença vascular relativamente rara e que costuma matar. Ele aparece nas paredes de uma artéria. É um tipo de má formação, que leva ao surgimento de uma espécie de bolha ou mamilo na região da artéria afetada. Quando essa bolha estoura, o sangue vasa e causa morte instantânea ou deixa seqüelas. Em todos os casos, a pessoa sente uma dor insuportável, que irradia para o resto do corpo. Em seguida podem aparecer tontura, convulsões, vômito e desmaio. O aneurisma pode ocorrer em qualquer artéria do corpo humano. E como a maioria das pessoas, eu só descobri isso quando o problema bateu à porta da minha casa.

Maria é como chamo minha mãe. Não são muitos a chamá-la assim. Lapeana (PR) de 1946, Maria Lúcia é uma mulher ativa e independente que criou três filhos homens e foi casada por trinta e cinco anos até a morte de meu pai, José Francisco Vicente, causada por complicações de um transplante de fígado. Mas não foi a morte do marido ou a criação dos filhos o maior desafio de Maria. Aquele momento em que Deus realmente nos testa começou para minha mãe numa Sexta-feira Santa, 10 de abril de 2009. Na areia da praia em Itapema, Santa Catarina, ela sentiu aquela dor insuportável. “Foi como se abrissem minha cabeça com um machado. Aquilo desceu pela coluna e não havia como ficar em pé. É mil vezes pior que a dor do parto”, ela me conta de dentro da UTI, num hospital de Curitiba.

Era para minha mãe estar sozinha daquela hora. Desde que comprou um apartamento na praia, com a ajuda dos filhos, Maria costuma sair de Curitiba de ônibus para passar alguns dias por lá. Faz isso dezenas de vezes por ano. Mas naquele feriado, meu irmão Alexandre a levou de carro, acompanhado pelo filho e a namorada. Incrível como um contexto ligeiramente diferente poderia ter matado minha mãe. Alexandre não queria ficar. Mas ficou e estava ao lado dela na hora em que a bomba relógio que Maria carregava na cabeça explodiu. Só eles sabem como foi difícil aquela hora. Nenhum ser humano comum está preparado para um momento daquele. E é por isso que me sinto feliz ao registrar este relato para que outras pessoas conheçam a complexidade da doença, a diversidade de decisões para a família e a importância maravilhosa da fé durante um evento tão dramático.

Meus dois irmãos e eu jamais imaginamos passar por uma experiência tão difícil e tão pouco tempo da morte de nosso pai. Outra figura rara e saborosa. Um homem que morreu aos 58 anos, completados numa UTI, depois de vencer o maior desafio da vida - conseguir um fígado saudável após três anos de espera na fila do transplante.

Este diário foi escrito para Maria Lúcia Ehlke Ribeiro Vicente, mãe, avó, pedagoga, quituteira e artesã. Uma pessoa divertida e geniosa que cativa com o olhar, o sorriso e as ações. Foi escrito de dentro da UTI C, Box 4, do hospital Pilar, em Curitiba. Mas começou fora dalí, em frente ao centro cirúrgico, no momento que os cirurgiões abriam a cabeça dela.



Escrito por Eduardo Ribeiro às 13h57
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Mãezinha,

Com a força, coragem e fé que Deus lhe deu, a senhora topou o desafio e enfrentou a única cirurgia que podia salvar sua vida. Faz três dias desde que o aneurisma se rompeu. Neste momento você está sedada e os médicos a preparam para começar uma delicada operação que deve fechar a bolha que estourou lá dentro. Estamos esperançosos, torcendo muito e certos de que Deus não vai te deixar partir tão cedo. Marcelo, Alexandre e eu te amamos tanto e ficaremos rezando aqui fora. Não sei quanto tempo vai levar, mas me proponho a conduzir este diário com um relatório dos primeiros dias após a hemorragia causada pelo aneurisma, com resultados de exames, sinais vitais, complicações e, principalmente, as histórias que você viverá aqui dentro.



Escrito por Eduardo Ribeiro às 13h57
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- A cirurgia

A operação começa com a abertura do crânio e a criação de um acesso até a bolha. Depois, os médicos isolam o aneurisma do resto da artéria usando clips feitos de titânio. Assim que o cérebro volta a ser irrigado de sangue normalmente, basta fechar a cavidade e concluir a operação. Eu sei que não é nada prazeiroso, mas existe um vídeo na internet que me ajudou a entender e acreditar no método. Aí está o endereço caso você queira ver como é. http://www.youtube.com/watch?v=ptHv3WRpDBU&feature=related

Foram menos de três horas até que eu soubesse que o objetivo havia sido alcançado, mas com um difícil imprevisto. Seu aneurisma era tão comprido e estreito que, para fechá-lo, foram necessários não um mas três clips. Sangrou um pouco dentro do cérebro, causando um edema ou inchaço do lado direito da cabeça. Soube disso na porta do centro cirúrgico, ao lado do Alexandre numa conversa com o médico. Voltamos a rezar e a torcer para que você se recuperasse logo e voltasse para nós.

O lado direito do cérebro, mãe, é quem manda no lado esquerdo do seu corpo. Os riscos dos dois sangramentos – o primeiro lá na praia e o segundo agora – são perda de movimento ou memória, de forma temporária ou permanente. Mas a sua força de vontade não podia te deixar parada por muito tempo. Menos de duas horas depois da cirurgia, você já estava se mexendo.

Fiquei contente porque sabia que aquela era minha Maria, lutando pra mostrar que já tinha decidido vencer. Você tinha o rosto bastante inchado, a cabeça toda enfaixada e um tubo na garganta ligado a uma máquina que respirava por você. Pedi a Deus que te devolvesse pra nós como nós a entregamos aos médicos, mas curada, pronta para a próxima luta.

Na primeira conversa após a cirurgia, o neurocirurgião Léo Ditzel (um anjo em forma de médico) nos disse que a senhora tinha dois desafios pela frente: se recuperar daquele inchaço na cabeça, retomando os movimentos que faltavam (o lado esquerdo do corpo estava paralisado); e vencer o risco de vaso espasmo, uma reação química pela qual o sangue que vasou produz esquemia, o fechamento gradual do calibre das artérias. Marcelo, Alexandre, eu, e toda família esperávamos em Deus que a senhora mostrasse – com a ajuda Dele – do que era capaz.

Estamos numa UTI humanizada, uma das primeiras no país a oferecer ao paciente a oportunidade de ficar 24 horas por dia com alguém da família por perto. Você está numa cama daquelas camas que sobem e descem por controle remoto. Ao lado esquerdo, tem um banheiro e à frente, uma poltrona. Ao redor, equipamentos de todos os tipos, cores e sons. E ao seu lado direito, uma porta de correr se abre para outro quarto onde estou. Aqui tem um sofá, um armário, televisão e uma janela.

Eu podia me aproximar de você sempre que quisesse. Mas pra isso era obrigatório lavar as mãos com sabão e, depois com álcool. Colocar um avental e só então chegar perto. Nas primeiras horas depois da cirurgia, cantei no teu ouvido e disse que tudo havia sido ótimo. Rezei, conversei com os médicos e decidi anotar no seu caderninho de praia, todas as informações sobre a luta que estava começando.

Uma curiosidade que, provalvelmente, você não vai lembrar quando acordar de verdade. Antes de ir para o centro cirúrgico, você nos chamou na UTI e disse: “posso fazer uma pergunta? Vocês querem menino ou menina?” Nós rimos juntos e a senhora seguiu na maca com os enfermeiros.



Escrito por Eduardo Ribeiro às 13h57
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Dia 01– da praia à UTI

É sexta-feira santa. Você, Alexandre, Felipe e Emídia saem do apartamento em direção ao mar em Meia-praia. O bacalhau ficou na geladeira para o prato que vocês fariam no domingo de páscoa. Com uma latinha de cerveja nas mãos, a senhora escolhe um lugar para sentar. De repetente, sem aviso, sem sinal algum, sua cabeça dói. A mão direita agarra o guarda-sol, você fica tonta e quase cai.

- Ai filho, eu não tô passando bem. Ai que dor!!!

O Alexandre despeja água nas suas costas. Ele nota que sua boca entorta e você fica pálida. Imediatamente procura um salva vidas mas não há nenhum. Corre por três quadras até o apartamento, pega o carro e volta para a praia. A cabeça ainda dói e você começa a vomitar. Chegam ao pronto socorro de Itapema mas não tem nem telefone. Uma funcionária diz:

- “Leve sua mãe daqui porque nós não podemos fazer nada. Acho que foi um derrame.”

Menos de meia-hora depois, a senhora já estava internada na UTI do Hospital do Coração, em Balneário Camboriú. Foi quando eu soube. Estava em São Paulo, na redação da Record News, no meio do plantão de Páscoa. Eram cinco da tarde. Entre um jornal e outro, o produtor Marcelo Bonfá me colocou em contato com um neurocirurgião do hospital São Luis. O doutor Marcos Lopes me deu atenciosamente as primeiras informações sobre o que é um aneurisma e fiquei arrasado. A principio, dividi isso apenas com a Ana, minha mulher, que havia acabado de chegar a Curitiba para ver os pais. Depois, contei ao meu chefe Hélio Matosinho. Você não sabe como foi difícil apresentar os outros dois telejornais que tínhamos pela frente. Com ajuda de toda a redação, segui a maior parte do tempo calado, pensando em como você estava. Orei quietinho na sala de reuniões e decidi pegar um avião assim que possível pra te ver. O problema é que estávamos de plantão, havia mais dois dias de trabalho e não tínhamos outro apresentador para me substituir. Mais uma vez senti a solidariedade da redação. O editor Fabiano Falsi procurou uma passagem aérea pra mim pela internet, Matosinho avisou a direção de jornalismo e estava decidido. Em poucas horas estaria ao seu lado.



Escrito por Eduardo Ribeiro às 13h56
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Dia 02 – Recebe os filhos na UTI

Dormi menos de três horas esta noite. Meu avião parte às sete e, antes disso, vou buscar a Ana que voltou de Curitiba durante a madrugada para cuidar das coisas aqui em casa. Ao vê-la foi impossível não chorar. Ela esteve ao meu lado quando perdi meu pai e agora assistia a mais esta batalha. Vou voar mais uma vez para Navegantes, SC. A última vez que fiz isso foi para buscar o corpo do meu pai. Tento não lembrar disso, mas é um trauma que me acompanha.

O Alexandre me pega às 8h, vamos para o apartamento em Meia-praia. O Marcelo já saiu de Curitiba, está vindo de carro. Como só podemos te visitar à tarde, lá no hospital, entro e vou direto para o seu quarto. Não venho aqui há quase um ano. Me deito na sua cama, abraço teu travesseiro. Há um porta-retratos com uma foto sua em frente à cama. Tudo aqui tem seu jeito, seu carinho. Sei que vai acabar tudo bem. Só não consigo pensar direito. Preciso dormir.

Já passa do meio-dia e o Marcelo chegou. Nós três pegamos o carro e vamos para Camboriú. No hospital, Alexandre nos leva até a porta da UTI. Um de cada vez. Lavamos as mãos, vestimos um avental e entramos. Acho que você não imaginava que já estaríamos todos ali. Quando entrei, você fez cara de surpresa.

- “E o jornal, meu filho?”
- “Fica pra depois, mãe. A notícia mais importante pra mim, agora, tá aqui.”

Você tomava morfina, tamanha era a dor. Os médicos se preocupam com um segundo sangramento, por isso você fica com a cabeça bem levantada o tempo todo. É desconfortável mas não tem há outro jeito. Se deitar, a pressão sanguinia no cérebro aumenta e o aneurisma que se rompeu pode vazar de novo. Saio do hospital impressionado com tua lucidez, calma e serenidade. Você acaba de ter uma hemorragia no cérebro e está conversando, com todos os movimentos perfeitos, sem nada que diga que você sofreu um AVC.

Vai começar uma batalha. Precisamos agir rápido. Ouvi a história de uma mulher que esperou duas semanas pela cirurgia porque o plano de saúde custava a liberar. Nessas horas, mesmo sem dinheiro, qualquer família do mundo quer a mesma coisa. Tratamento rápido e com alguém que já tenha lidado com o mesmo problema um milhão de vezes. Não conhecemos ninguém aqui no estado. Decido ligar para Ana e amigos jornalistas em Curitiba. Como por decisão de Deus, uma rede de bondade se descortina a nossa frente. Nomes, telefones, referências. Alexandre, Marcelo e eu conversamos por celular, no viva-voz, com pelo menos oito neurologistas. Do Hospital do Coração, em Camboriú, à Beneficência Portuguesa em São Paulo. Acho que isso foi fundamental para termos certeza do que podíamos e devíamos fazer por você.

Mas falar com muitos médicos também tem sua contra-indicação. Começava a haver opiniões divergentes. À noite, te visitamos de novo. Você disse que, se dependesse de você, voltava pra casa, deitava na cama e tomava uma aspirina. E não queria nem saber de cirurgia. Mas os exames mostravam que seu problema era muito sério. Tentávamos não te preocupar mas o sangramento que você teve na praia foi, numa escala de zero a quatro, de nível três. Não podíamos ficar parados. Em algumas horas ou dias, aquele sangue podia te provocar seqüelas que você ainda não havia manifestado. Sem falar no risco iminente de outra hemorragia.



Escrito por Eduardo Ribeiro às 13h56
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Dia 03 – tentativa e erro

Acordei durante a madrugada achando que tudo não havia passado de um pesadelo. Mas logo me lembrei que era real. Retomamos os contatos com os médicos, debatemos o risco de uma remoção para outro hospital ou cidade naquele estágio e decidimos por um procedimento chamado embolização. Sem cortes, o médico introduz, pela virilha, um cateter que leva micromolas de platina até o cérebro. A intenção é obstruir o aneurisma. Estávamos confiantes. Dr. Leandro Haas já fez isso pelo menos 400 vezes. Numa maca, você passa por nós com ar de irritada. Era como se estivesse brava por termos autorizado aquilo. Oramos juntos e ficamos torcendo ali do lado de fora. Quase uma hora depois, suado, vejo o médico vindo em nossa direção.

- Olha, a mãe de vocês está bem, chegamos até o aneurisma mas não correu como eu queria. A abertura da bolha é larga e as molas não param lá dentro. Já tentei três vezes mas elas entram e escapam. Não vai ser possível embolizar.

 Nossos rostos, até então contentes, desabaram. Minha primeira preocupação foi saber se o procedimento havia causado algum novo sangramento, se havia condições para continuarmos tentando. Doutor Leandro explicou que só a cirurgia dita “a céu aberto” podia salvá-la. A tradicional abertura do crânio com o isolamento do aneurisma. Tinhamos confiança naquele médico por isso tentamos saber se ele mesmo faria a operação. Mas ficou claro que não.

Eram pouco mais das nove da noite, domingo de Páscoa, e voltamos à estaca zero. Recomeçou ali, na ante-sala da hemodinâmica, uma corrida por novos contatos, nomes e referências porque não estávamos mais à vontade para autorizar aquela cirurgia. Algum tempo depois, graças à ajuda dos amigos Carlos Delgado e Paladino, de Curitiba, fizemos contato com o professor Léo Ditzel. 68 anos, 40 como cirurgião. Mais uma vez reforço: por mais geniais que sejam alguns novos médicos, nestas horas, qualquer um em desespero age com um certo preconceito. Quer para sua mãe alguém que te tranqüilize, alguém que já tenha feito o mesmo procedimento centenas de vezes e com excelente resultado. Ao telefone, contei ao Dr. Léo o seu estado. Como um verdadeiro anjo, ele explicava tudo mais de uma vez. Não só aceitou por telefone fazer a cirurgia como nos ajudou a reservar uma vaga de UTI num hospital de Curitiba. Dependia de nós levar você para lá o quanto antes.



Escrito por Eduardo Ribeiro às 13h56
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